Amor de Menina


Eu o conheci na primeira série do ensino fundamental, ele, usava um cabelo “tigelinha” como a maioria dos meninos, mas tinha um sorriso lindo, todo tímido, mas lindo. Eu com minha franja sempre certinha e meu cabelo preto, com cara de índia. Amizade de criança, sem maldade, sem malícia! E com toda essa timidez de nós dois, nunca fomos muitos grudados nessa época. Os anos se passaram, chegou a quarta série, o ruim mesmo foi o final daquele ano, pois íamos nos separar, pensava que iria perder todos meus amigos, aqueles que cresceram comigo. A maior questão era “pra que escola você vai?” e todos respondiam a mesma coisa “não sei”. Sem maiores despedidas, seguimos.

Foto deles na 2ª série - São os marcados

Foto deles na 2ª série – São os marcados

Me matriculei em outra escola, e estava com medo, mas feliz porque minha melhor amiga na época ia estudar comigo de novo! Primeiro dia de aula, ao entrar na sala (atrasadas), tomamos um susto. Conhecíamos a maioria das crianças ali, ufa! E no meio de todas elas, quem estava? Ele, com o mesmo cabelo tigelinha, que o deixava o menino mais cabeçudo da sala (que seja, ele é até hoje assim). Meu medo havia passado, dando lugar ao um sentimento de conforto, de me sentir bem com meus amigos. Os anos passaram, muitas pessoas mudaram de sala, mas ele continuava a estudar comigo, continuava no grupinho que nós fazíamos nas fileiras da direita da sala. Estávamos na oitava série, exatamente 8 anos estudando juntos, 8 anos de amizade. Mas o que ninguém nunca soube foi que sempre tive uma queda (gigante) por ele. E diziam que ele sentia o mesmo. Aquele ano foi o mais próximos que ficamos, eramos melhores amigos. Riamos até quase chorar, brincávamos, falávamos besteiras e tudo o que tínhamos direito. Oito anos se passaram, mas a nossa timidez parecia a mesma da primeira série quando alguém falava algo a mais de nós dois. Permanecemos assim, amigos, mesmo as vezes durante a aula quando eu ia olhar pra ele e ele olhava, e mesmo que por alguns segundos os olhares se trocavam, e eu simplesmente abaixava a cabeça. Com vergonha.

O ano se passou, e no ultimo bimestre recebo a notícia que iria mudar de escola, um lugar que nunca tinha ouvido falar, com pessoas que eu nunca tinha visto da vida e deixaria todos meus amigos. Parecia brincadeira, mas não era. Últimos dias de aula, e ia batendo aquela tristeza em mim e no resto da turma, porque a maioria dos nossos amigos iria mudar de escola, inclusive ele. Não sei o porque, e não me lembro bem, mas não tivemos uma despedida, como geralmente fazem nos últimos dias de aula.

Prometemos um para o outro não perder contato, mas o tempo passa, as prioridades mudam, a gente cresce. Confesso que perdi contato com a maioria das pessoas, e não queria, mas aconteceu. Mas existem amizades que permanecem as mesmas durante anos sem que você fale com a pessoa, e isso aconteceu com a gente. Ficamos quase dois anos sem manter contato. Até 2011, no final do ano melhor dizendo, quando (re)começamos a nos falar mais. Trocar mensagens de texto. Aquele climinha sabe? Sms de bom dia, boa noite. Sorrisos ao ver o nome de quem era a sms. Enfim…

Depois de um tempo teve uma festa perto de casa, do “primo” dele, que é meu amigo também, então a gente ia se ver. Depois de três anos, finalmente íamos se ver. Assim se fez. O menino que eu costumava chamar de “pequeno” está bem maior que eu, a cara de criança sumiu (tirando o sorriso, que continua o mesmo). Eu ainda tinha em mente que ia encontrar o menino que eu tinha abraçado na porta da escola anos atrás, mas me surpreendi. Alto, com uma voz rouca, ainda meio tímido, mas ainda me roubando sorrisos. Mas esse dia além de sorrisos, me roubou um beijo.

Primeiro dia que eles ficaram, e a primeira foto como um casal

Primeiro dia que eles ficaram, e a primeira foto como um casal

Não sei o porque, mas depois desse dia perdemos um pouco o contato. Depois de um mês, vida me surpreendeu, me derrubou. Eu realmente perdi o sentido do meu sorriso, perdi alguém que era muito especial pra mim, o Lucas Eduardo, meu ex namorado. E o meu “pequeno” me apoiou nisso. Depois de nem um mês praticamente, a vida nos surpreendeu de novo, levando um outro anjo para o lado de Deus. Um amigo pra mim, um irmão pra ele, o Marco Antônio, primo do Otavio. Amigos em comum, acabamos nos vendo de novo nesse dia, não gosto de lembrar, mas apesar de tudo, das circunstâncias, passamos a madrugada inteira conversando e relembrando de várias histórias, sentados no banco gelado do cemitério. Bateu uma saudade. Em meio a sorrisos pelas lembranças e lágrimas da despedida do primo dele. Mesmo sendo um momento péssimo, foi bom ver o meu sorriso sendo sincero de novo, e o que me deixou bem foi ver que mesmo aquele sendo um momento tão ruim, tão triste, eu consegui tirar um sorriso do rosto que mais cedo eu tinha encontrado com lágrimas nos olhos.

Ali eu percebi que não podemos questionar o porque disso ou daquilo, cada história das nossas vidas tem o tempo certo para acontecer. Dia 02/04 nós fomos ao cinema, nos distrair um pouco, ficamos de novo. E assim nossa história foi se desenvolvendo, foi crescendo um sentimento dentro de nós um pelo outro. Como nós mesmo dizemos “MAKTUB”, que pra quem não sabe quer dizer “estava escrito” ou melhor “tinha que acontecer”. Deus me mandou um anjo há 12 anos atrás. Ele sempre foi meu amigo, sempre, e hoje sou apaixonada por ele. A cada dia que passa esse sentimento faz mais sentido.
Depois de algum tempinho ficando, ele me pediu em namoro. Ele veio em casa e me disse que havia uma surpresa no meu quarto, eu não tinha visto o que era pois não vi ele chegando, eu estava no banho. Depois de muito me enrolar ele deixou eu ir no quarto, chegando lá tinha um buque de flores lindo em cima da minha cama! Voltei pra sala com o buque nos braços e uma cara toda boba, quando me sentei ele falou para eu abrir o envelope do buque, assim fiz. Estava escrito “Quer ser minha menina?”, olhei para ele com um sorriso enorme, disse sim e o beijei. Depois disso ele tirou um “smile” do bolso, a caixinha das alianças e me entregou. Colocamos a aliança do outro, e se tornou oficial, estávamos namorando.

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Dias depois fomos ao shopping gravar as alianças, mas não queríamos nossos nomes, como todo mundo. Não sabíamos o que escrever, até o momento que a moça perguntou, então eu disse “maktub, grava maktub!” e ele apoiou a ideia. Como eu citei ali em cima, maktub quer dizer “estava escrito”, e não tem nada que defina mais a nossa história.

A continuação dessa história? Bom, não sei… Sem promessas, sem pressa, sem juras. Só deixo o tempo me mostra qual vai ser o meu motivo de sorrir a cada dia, e agradeço que nos últimos tempos esse motivo é ele. Minha mãe costuma dizer que casais que tem um futuro juntos se parecem, como se completassem um aos outros. Esses casais são raros. São aqueles que nós vemos e não sabemos se são tão amigos que ficam de mãos dadas ou se são namorados. São raros sim, mas quando minha mãe me viu com ele, ela disse “vocês combinam, se parecem”.  Eu sorri. Nós somos raros amor! Você me faz levantar todos os dias com um motivo a mais, um sorriso a mais, um sentimento que cresce a cada dia.

Hoje, carrego o fruto desse amor na minha barriga, nosso filho! Quem diria que depois de doze anos, depois de tudo, eu iria estar aqui hoje, olhando o positivo no exame de gravidez, daquele menino com cabelo tigelinha? Passamos por mais obstáculos juntos, enfrentamos olhares tortos, julgamentos e nossas famílias. Um casal com 18 anos ter um filho? Seria total desespero. Mas Deus é tão bom que acalmou o coração de todos desde o primeiro dia. Não sei o tamanho da sorte que tenho por ter o meu namorado ao meu lado, junto com nossas famílias, apoiando desde o momento que souberam. Sem uma briga, uma discussão.
Eu acredito nesse amor, no nosso filho e na nossa história, até o ultimo dia da minha vida ou além.

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P.S.: O Bê da Thainá Martelozzo já nasceu é um menino lindo e saúdavel e lindo de novo *—* Clique AQUI e veja o blog dela

Quer sua história de amor também publicada? Mande pela inbox do face ou por e-mail: ytala.thaysa@hotmail.com – (Pode mandar direto a história, não esquecendo de anexar fotos, e falar o nome do casal)

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Um comentário sobre “Amor de Menina

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